Nosso primeiro ano.

12:05

São Paulo, 10 de Julho de 2015. 

Ouvindo "What a wonderful world" - versão de Tiago Iorc


Em 12 dias, Benício completa seu primeiro ano de vida. Completo meu primeiro ano como mãe. 
Quando dei de cara com aquele 'positivo' no fim de 2013, uma grande mistura de emoções tomou conta de mim. Apesar de toda mulher desejar muito ser mãe (algumas não, mas a grande maioria sim), é sempre um grande desafio conseguir imaginar a vida quando se está no processo da chegada do primeiro filho. 

Eu fantasiava muitas coisas... não imaginava que fosse tão difícil. Que sair de casa poderia me dar preguiça porque é preciso pensar minuciosamente em tudo que precisa estar na mochila, em caso de emergência. Roupas extras, blusas de frio e cobertores mesmo no calor do verão - 'vai que o tempo muda' -, aprontar mamadeiras a mais - vai que a gente demora mais que o esperado -. Nada pode ser esquecido. 

Imaginei meu filho nascendo de parto normal e jamais pensei que eu precisasse me importar tanto em aprender a amamentar. Ele nasceu de cesárea, foi para UTI e não consegui amamentá-lo. Nem ao menos senti o privilégio do cansaço mas de muitos amigos nos visitando para dar boas-vindas ao meu pequeno. 

A lição número um da maternidade pra mim foi: VOCÊ NÃO TEM CONTROLE ALGUM. 
Desde então, quem dita absolutamente todas as regras do jogo é Benício. E sei que assim será por mais algum tempo. 

Não posso me dar ao luxo de sair como antes. Nem de chegar tarde como antes. Nem de acordar tarde como antes. Nem de querer simplesmente fazer nada como antes. 

Aprendi neste ano que com a chegada do primeiro filho, o casamento passa por uma grande transformação. Existe a grande fusão entre mãe e filho que muitas vezes não é entendido pelo marido. Graças a Deus, este não foi meu caso. Precisamos, sim, nos readaptar, aceitar uma nova rotina que muitas vezes estava longe de ser a mais fácil e desejada, mas que trazia uma beleza subliminar constante, em pequenos instantes mágicos, nos sorrisos fáceis e abraços inesperados em família. 

A segunda grande lição da maternidade pra mim foi: APRENDA A VALORIZAR OS DETALHES. São eles que nos dão força para olhar pra trás e acreditar que absolutamente tudo valeu a pena. 

Quando cheguei em casa com Benício nos braços, atravessei o puerpério e chorei  por alguns dias. Chorei por nada ter sido como planejado, chorei por me sentir sozinha, chorei porque não ter a velha liberdade de antes, chorei de emoção, chorei de saudade, chorei, chorei, chorei. É uma sensação tão única porque este choro vinha recheado de sentimentos. Não importava se na TV estivesse passando o programa de humor mais engraçado, as lágrimas simplesmente se faziam presente. E assim, repentinamente, passou. E eu aprendi outra grande lição: ACEITE QUE NEM SEMPRE VOCÊ ESTARÁ BEM; ISSO NÃO FARÁ DE VOCÊ MENOS MÃE. 

Naqueles dias de maior esgotamento físico e mental, em que o bebê está sentindo absolutamente tudo que você e ele muito provavelmente começou a ficar mais choroso por conta disso, iniciava uma contagem regressiva até a meia noite e renovava minhas esperanças. A cada 24 horas, um novo dia começava pra que eu conseguisse me recompor e dar o meu melhor para meu filho. Então, aprendi uma nova lição: NA MATERNIDADE, ENTENDI QUE É PRECISO REALMENTE VIVER UM DIA DE CADA VEZ; NENHUM DIA SERÁ IGUAL AO OUTRO. 

Tivemos momentos difíceis e desafiadores. Na primeira (e única, graças a Deus) bronquiolite de Benício, fui ler mais sobre somatização. Usei Cristina Cairo como referência bibliográfica em seu livro "Linguagem do Corpo", que ganhei de presente de minha mãe. Lá, ela foi muito clara: muitas das doenças dos bebês tem a ver com o estado emocional de seus pais. Realmente, eu e Luiz estávamos passando por esta avalanche de transformações, pressão, saudade e por fim, tudo isso muitas vezes era sentido pelo nosso Pequeno. Lembro-me que li parte do livro a ele. Tenho sorte de ter um marido que também acredita nisso. Conseguimos transformar nosso padrão vibratório e a cura chegou rápido. Então, aprendi uma nova lição: NOSSOS FILHOS SENTEM ABSOLUTAMENTE TUDO QUE SENTIMOS; POR ISSO, DEVEMOS O TEMPO TODO ANALISAR QUAL TEM SIDO NOSSA VIBRAÇÃO, NOSSO PENSAMENTO. 

Neste ano, me senti muito sozinha. Alguns amigos se afastaram. Existe a correria do dia a dia, existe quem simplesmente não se importa, existe quem finge que se importa, existem aqueles que sempre dão uma desculpa e também aqueles que simplesmente não tem o que trocar. Os temas das conversas mudam, amadurecem, às vezes se tornam chatos mas ao mesmo tempo, nos leva a refletir que lá na frente tudo vai valer a pena. A construção de uma família protegida e dentro de uma base sólida é algo que vai sendo feito dia após dia, atitude por atitude. Sou privilegiada por ter um marido presente e um pai presente para meu filho. Nós dividimos tarefas e responsabilidades e isso nos ajuda a olharmos um ao outro de forma admirável. Descobrimos novas qualidades e novos defeitos e, nesta nova constituição familiar, aprendemos juntos como nos moldar para seguirmos unidos na caminhada da vida. 

De repente, o tempo vai passando. O que parecia impossível vai se transformando em algo palpável, real. Nosso pequeno bebê de repente começa a interagir cada vez mais. Cada fase vai se tornando mais desafiadora e exigente, mas com um charme e beleza únicos. Os sorrisos, o reconhecimento, a procura pelos pais visando segurança, o conforto de um abraço, a alegria gratuita ao nos ver em cada amanhecer... 

Amadureci demais como mãe, como mulher, como esposa neste último ano. 
Percebi o quanto sou capaz, o quanto a vida está nos detalhes, o quanto o que realmente vale a pena nesta vida é gratuito. 

2016 nos reserva mais um desafio: a chegada de um irmão. Dois bebês em casa será ainda mais desafiador, mas agora, sem tantas expectativas, sem esperar demais das pessoas. Já sei o que me espera e com quem posso contar, então, que seja leve o que vier. Que seja enlouquecedor e doce. Que Deus proteja nossa família, nos encha de amor e proteção e muita SAÚDE. 

Ao meu Pequeno Passarinho, só tenho a agradecer. 
Filho, um ano se passou. Você foi meu mestre. Me ensinou tanto sobre tantas coisas... paciência, em primeiro lugar. Você me ensinou o que é amor incondicional. Você ajudou em minha busca sobre o auto-conhecimento de uma forma ÚNICA, sendo a minha consciência materializada. Você transformou, me fez tomar decisões difíceis, onde levei em consideração apenas o que o meu coração me dizia, nada mais. Você me mostrou que estas foram as decisões certeiras da vida. Foi só o primeiro ano. Temos tanto ainda que viver, tantas memórias para escrever, tantas fotografias para guardar em nossos livros de vida... você é um ser de uma grande LUZ. Sua calmaria me conforta. Sua paz me traz paz. Seu olhar me tranquiliza. Seus passos vindo em minha direção me dão um poder mágico: o de ser capaz de aliviar suas dores, as físicas e as da alma. Obrigada por tamanho presente. Por tamanha confiança. Por tamanho AMOR mútuo, sublime, constante, infindável e indescritível. 
Parabéns pelo seu primeiro ano de vida. 
Que estejamos sempre juntos e conectados. 
Que seu voo seja lindo, seguro e cheio das melhores surpresas, meu querido. 
Te amo muito. 
Do umbigo. 
Mamãe.  
























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1 comentários

  1. Fases que a vida tem.. oportunidades de evolução e amadurecimento, porque o entendimento mesmo costuma vir depois...
    Parabéns pra vc que tb está crescendo junto com seu pequeno, como pessoa, mulher e mãe.
    E que nunca nos falte coragem para continuar, POIS DESISTIR NAO PODE SER UMA OPÇÃO. Este é meu atual lema, e acredito que vale para muitos!
    Beijos! Parabens! te amo! s2

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