Hoje é dia de Clarice.

08:33

Há um mês eu tenho vivido uma fase um pouco conturbada, turbulenta. Eu penso, repenso, me isolo, escuto meu coração, falo comigo mesma, me revolto, me acalmo... tem a TPM, tem o dia a dia, tem a saudade do Lu, tem as adaptações de sempre...
Depois de muito pensar, analisar, escutar o coração, me reencontrar, encontrei a minha luz no fum do túnel. No meio desse vai e vem quase deixo o Lu louco, rs... mas ele me entende, me olha nos olhos e me diz: "Você é a complicada e perfeitinha mais linda do mundo!". E está sempre lá, com a paciência infinita, segurando minha mão e dizendo: "Calma, encontraremos a solução juntos".
Que sorte a minha ter este anjo em forma de ser humano ao meu lado.
I'm a really lucky woman! ;-)

Também não posso deixar de agradecer aos meus amigos queridos e amados que sempre entendem este meu recuo quando se faz necessário. Não é que eu não queira compartilhar os problemas com vocês, mas acho que para a gente se doar, é preciso estar bem com a gente mesma. Agora eu estou! :)

Para deixar registrado este capítulo que está sendo encerrado, e todo aprendizado que ele me trouxe, escolhi Clarice para ilustrar meus sentimentos.

Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.


Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.


Enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas... continuarei a escrever.


Ah, e dizer que isto vai acabar, que por si mesmo não pode durar. Não, ela não está se referindo ao fogo, refere-se ao que sente. O que sente nunca dura, o que sente sempre acaba, e pode nunca mais voltar. Encarniça-se então sobre o momento, come-lhe o fogo, e o fogo doce arde, arde, flameja. Então, ela que sabe que tudo vai acabar, pega a mão livre do homem, e ao prendê-la nas suas, ela doce arde, arde, flameja.


...estou procurando, estou procurando. Estou tentando me entender. Tentando dar a alguém o que vivi e não sei a quem, mas não quero ficar com o que vivi. Não sei o que fazer do que vivi, tenho medo dessa desorganização profunda.


Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo.


Porque há o direito ao grito.
então eu grito.

Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida.


Sou caleidoscópica: fascinam-me as minhas mutações faiscantes que aqui caleidoscopicamente registro.
E se me achar esquisita, respeite também. Até eu fui obrigada a me respeitar.

E nem entendo aquilo que entendo: pois estou infinitamente maior que eu mesma, e não me alcanço.


Fique de vez em quando só, senão será submergido. Até o amor excessivo pode submergir uma pessoa.


Tenho várias caras. Uma é quase bonita, outra é quase feia. Sou um o quê? Um quase tudo.



Meu beijo,
L.

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